Depois da Trombose: Como Estou Recomeçando, Vencendo o Medo e Recuperando Minha Saúde

Após uma trombose, precisei desacelerar, enfrentar o medo e aceitar meus limites. Hoje compartilho como estou reconstruindo minha saúde, minha confiança e minha vontade de recomeçar.

8/28/20266 min read

A man sitting on top of a hill overlooking a lake
A man sitting on top of a hill overlooking a lake

Há momentos na vida em que temos a sensação de que todo o esforço feito até então simplesmente perdeu o sentido.

Eu vivi essa sensação recentemente.

Durante um período da minha vida, comecei a cuidar melhor do meu corpo, da minha saúde e da minha rotina. Corria todas as manhãs, acompanhava meus exames e consegui uma conquista que, para mim, teve um significado enorme: finalmente consegui baixar meu peso para dois dígitos.

Era uma vitória pessoal.

Eu sabia o quanto havia me esforçado para chegar até ali.

Então veio a trombose.

De repente, alguém acostumado a correr, trabalhar e se manter ativo precisou desacelerar. O corpo, que antes parecia responder aos meus esforços, passou a impor limites que eu não esperava encontrar naquele momento da minha vida.

E isso mexeu comigo.

Quando parece que todo esforço foi perdido

Hoje já se passaram cerca de 80 dias desde o diagnóstico e o início do tratamento.

Tenho seguido rigorosamente o tratamento, mas precisei reduzir bastante algumas atividades que faziam parte da minha rotina.

Com o passar do tempo, também voltei a ganhar peso.

Cheguei novamente aos 107 quilos.

Confesso que isso me deixou frustrado.

Em alguns momentos, pensei que todo aquele esforço para chegar aos dois dígitos não tinha valido a pena.

É difícil olhar para trás e lembrar de uma conquista da qual você se orgulhava e perceber que, temporariamente, voltou para uma situação que havia lutado tanto para mudar.

Mas existe uma coisa que estou aprendendo:

Uma conquista não deixa de existir porque tivemos um retrocesso.

Eu cheguei aos dois dígitos.

Eu sei que consegui.

E se consegui uma vez, posso tentar novamente.

Talvez não da mesma maneira. Talvez não no mesmo ritmo. Mas posso recomeçar.

Quando a vontade de seguir em frente ultrapassa os limites

Eu não sou muito bom em ficar parado.

Quando precisei interromper a academia, comecei a procurar outras coisas para fazer dentro de casa.

Gosto de trabalhos manuais e tenho satisfação em construir e consertar coisas. Foi assim que acabei me envolvendo na construção do telhado da minha área gourmet.

Passei bastante tempo em cima de uma escada trabalhando naquele projeto.

Eu estava fazendo algo que gosto, mas acabei ultrapassando os limites que meu corpo estava naquele momento preparado para suportar.

Depois vieram as dores e o inchaço na perna.

E junto com eles veio novamente o medo.

O medo de que alguma coisa estivesse acontecendo.

O medo de uma nova complicação.

O medo de precisar parar ainda mais.

Naquele momento percebi uma coisa que talvez seja difícil para pessoas acostumadas a fazer tudo sozinhas:

força também é saber a hora de parar.

Eu converso comigo mesmo

Talvez alguém ache estranho, mas eu costumo conversar comigo mesmo.

Não sei se isso me torna meio louco ou simplesmente humano.

Mas essas conversas internas têm me ajudado.

É como se uma parte de mim dissesse:

"Você precisa ter paciência."

E outra respondesse:

"Eu sei. Mas não vou desistir."

Talvez seja justamente essa conversa que esteja me ajudando a atravessar esse período.

Não quero me entregar à frustração.

Não quero transformar uma fase difícil em uma definição da minha vida.

Estou temporariamente limitado, mas não estou derrotado.

Existe alguém que me lembra por que preciso continuar

Sempre procurei ser um pai presente.

Tenho uma filha de 11 anos, a quem amo profundamente.

Durante esse período, percebi ainda mais o quanto nossa relação é importante para mim.

Ela se preocupa comigo, pergunta como estou, demonstra carinho e atenção e, de uma maneira que talvez ela mesma nem perceba completamente, tem sido uma das minhas maiores motivações para continuar.

Em muitos momentos, quando minha cabeça está cheia de dúvidas, é o carinho dela que me lembra que ainda existe muito futuro pela frente.

Ela não precisa resolver meus problemas.

Não precisa carregar minhas preocupações.

Mas simplesmente estar ao meu lado, demonstrar preocupação e me oferecer seu carinho já representa muito.

Talvez seja isso que os filhos fazem sem perceber: às vezes, apenas a existência deles nos dá uma razão a mais para levantar e continuar tentando.

Quando penso no futuro, não penso somente em recuperar meu condicionamento físico ou voltar ao peso que tinha alcançado.

Penso também em estar presente.

Estar aqui.

Acompanhar minha filha crescer.

Viver momentos ao lado dela.

E continuar construindo uma vida da qual nós dois possamos guardar boas lembranças.

Dois passos para trás não significam o fim da caminhada

Hoje ainda estou afastado da academia.

Estou pensando em voltar gradualmente, respeitando os limites estabelecidos para minha recuperação.

Não sei exatamente quanto tempo vai levar para recuperar o condicionamento que tinha antes.

Também não sei quando voltarei ao peso que consegui alcançar.

Mas aprendi uma coisa:

não preciso resolver tudo agora.

Talvez eu precise dar dois passos para trás para conseguir avançar algumas casas mais à frente.

Isso não é desistência.

É estratégia.

É entender que o caminho nem sempre será uma linha reta.

Às vezes precisamos diminuir o ritmo.

Às vezes precisamos parar.

Às vezes precisamos aceitar que determinada batalha não pode ser vencida naquele dia.

Mas isso não significa abandonar a luta pela própria saúde.

O que esses 80 dias me ensinaram

A trombose me ensinou algo que talvez eu nunca aprendesse se tudo tivesse continuado exatamente como antes.

Eu achava que cuidar da saúde significava principalmente correr, controlar o peso e manter os exames em ordem.

Hoje vejo que saúde também significa saber ouvir o corpo.

Significa cuidar da mente.

Significa aceitar limitações temporárias.

Significa ter paciência com o próprio processo.

E, principalmente, significa entender que uma fase ruim não apaga tudo aquilo que construímos antes dela.

Eu ainda quero voltar à academia.

Ainda quero recuperar minha condição física.

Ainda quero voltar a olhar para a balança e comemorar novamente os dois dígitos.

Mas agora existe uma diferença.

Não quero simplesmente voltar a ser quem eu era antes da trombose.

Quero voltar mais consciente.

Se você também está tentando recomeçar

Talvez você esteja passando por algo completamente diferente do que passei.

Pode ser uma doença, uma lesão, um problema emocional, uma perda, uma separação, dificuldades financeiras ou simplesmente aquela sensação de que a vida não está seguindo o caminho que você imaginava.

Se existe uma coisa que estou aprendendo, é que um retrocesso não precisa ser o capítulo final.

Você pode estar mais lento.

Pode estar cansado.

Pode até precisar parar por algum tempo.

Mas isso não significa que tenha perdido tudo.

Olhe para aquilo que você já conseguiu superar.

Lembre-se das pequenas vitórias.

E, quando chegar a hora, dê novamente o próximo passo.

Pode ser pequeno.

Pode ser diferente.

Pode ser mais lento do que você gostaria.

Mas ainda será um passo.

Recomeçar também é uma forma de coragem

Hoje, cerca de 80 dias depois daquele diagnóstico que mudou minha rotina, ainda tenho dúvidas, receios e algumas frustrações.

Mas também tenho algo que considero muito importante:

a vontade de continuar.

Tenho uma filha que me ama, que se preocupa comigo e que me faz olhar para o futuro com esperança.

Tenho sonhos que ainda quero realizar.

Tenho coisas que ainda quero construir.

Tenho muito para viver.

Talvez meu corpo ainda precise de tempo.

Então vou tentar ensinar minha mente a ter paciência.

Não vou fingir que está tudo perfeito.

Não está.

Mas também não vou dizer que tudo está perdido.

Porque não está.

A vida não precisa seguir exatamente o caminho que planejamos para continuar tendo valor.

Às vezes, precisamos dar dois passos para trás.

Respirar.

Reorganizar as forças.

E então avançar algumas casas mais à frente.

Eu ainda estou caminhando. Apenas aprendi que, em alguns momentos, caminhar devagar também é seguir em frente.

E você, já precisou recomeçar?

Você já passou por um momento em que precisou parar, mudar seus planos e aprender a respeitar o seu próprio tempo?

Pode ter sido por causa de uma doença, uma perda, uma dificuldade emocional ou qualquer outra situação que tenha mudado sua rotina.

Conte sua experiência nos comentários.

Talvez aquilo que você aprendeu durante o seu próprio processo possa ajudar alguém que esteja enfrentando uma fase difícil neste momento.

E lembre-se:

Às vezes, recuar não significa desistir. Significa reunir forças para avançar novamente.